Ao longo da minha formação em Ciências de Informação Geográfica na Universidade Eduardo Mondlane, e também por interesse pessoal, adquiri conhecimentos em áreas como Java, Python, R, SIG, análise de dados e outras tecnologias que utilizo para desenvolver soluções que apoiam o meu trabalho diário e ajudam pessoas que necessitam do meu suporte.
Com o tempo, percebi que toda solução precisa de nascer de um problema real. Uma solução só faz sentido quando responde a uma necessidade concreta. Sem um problema, não existe uma base sólida para criar. Existe uma expressão que diz que “do nada, nada surge”, e é exactamente esse sentimento que muitas vezes tenho quando penso em desenvolver algo novo.
Posso dominar várias ferramentas, mas isso não significa que existam ideias prontas à espera de serem implementadas. As melhores ideias aparecem quando estou diante de um desafio que exige uma resposta.
Foi essa forma de pensar que também mudou a minha maneira de utilizar a inteligência artificial.
Quando a IA é utilizada apenas para executar tarefas, funciona como uma ferramenta de automação. No entanto, quando é utilizada como consultora ou como uma extensão do nosso próprio raciocínio, o seu valor aumenta significativamente. Nesse modelo de trabalho, não estamos apenas a delegar tarefas: fazemos parte activa do processo de desenvolvimento da solução.
Em vez de dizer simplesmente “faz isto por mim”, procuro perguntar “como é que isto pode ser feito?”. Essa pequena mudança de abordagem transforma a interacção. A IA deixa de ser apenas uma executora e passa a ser uma parceira de aprendizagem.
Durante o processo, compreendo os conceitos, avalio alternativas, questiono decisões e aprendo enquanto construo a solução.
Também aprendi que não vale a pena aceitar respostas apenas para avançar mais rapidamente. É importante compreender por que determinada solução funciona, quais são as suas limitações e que outras possibilidades existem. Quando participamos activamente nesse processo, deixamos de ser apenas utilizadores da IA e passamos a ser cocriadores das soluções.
Acredito que o verdadeiro potencial da inteligência artificial não está em pensar por nós, mas em ampliar a nossa capacidade de pensar, experimentar e aprender. O conhecimento continua a ser humano; a IA acelera o caminho até ele.
No fim, continuo a acreditar que tudo começa com um problema. Onde existe um problema real, existe espaço para criar, inovar e aprender. E talvez essa seja a maior lição que a IA me ensinou: mais importante do que pedir respostas é aprender a fazer as perguntas certas.